Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens

sábado, 1 de junho de 2013

literature #4

Ontem tive a oportunidade de ir à Feira do Livro de Lisboa e fiz duas novas aquisições.


O Livro de Mágoas, Florbela Espanca
Editorial Estampa

Preço de Feira: 10,30€


Jane Eyre, Charlotte Brontë
Civilização Editora

Preço de Feira: 7,99€

Mal posso esperar para que passe a fase de exames e que cheguem as férias, para me dedicar a 100% à literatura, ao desenho e outros afins.

Bom fim-de-semana

sábado, 26 de janeiro de 2013

literature #3

O Crime do Padre Amaro, Eça de Queiroz

O meu mais recente livro lido.

Esta tornou-se numa das minhas obras favoritas de literatura portuguesa e não só. O Crime do Padre Amaro, é uma obra imponente e controversa, que coloca a nu os podres de uma sociedade beata e ignorante do século XIX, dominada pelo temor a Deus e ao pecado.

Esta obra teve três versões diferentes. Não sei se as três versões se encontram publicadas atualmente, ou se somente a terceira se encontra. Contudo, pelo aquilo que li, as versões diferem muito pouco entre si. Há apenas uma ligeira alteração do enredo, do nome de algumas personagens e da caraterização psicológica do protagonista, o Padre Amaro.

Eu possuo a 3ª versão da Editora Livros do Brasil, uma edição já antiga por sinal, uma vez que esta pertence ao meu avô.

Deixo aqui um excerto que assinala significativamente os detalhes que acima revelei:

"- Meu rapaz, tu podes ter socialmente todas as virtudes; mas segundo a religião de nossos pais, todas as virtudes que não são católicas são inúteis e perniciosas. Ser trabalhador, casto, honesto, justo, verdadeiro, são grandes virtudes; mas para os padres e para a Igreja não contam. Se tu fores um modelo de bondade, mas não fores à missa, não jejuares, não te confessares, não te desbarretares para o senhor cura - és simplesmente um maroto. Outras personagens maiores que tu, cuja alma foi perfeita e cuja regra de vida foi impecável, têm sido julgadas verdadeiros canalhas, porque não foram baptizadas antes de terem sido perfeitas. Hás-de ter ouvido falar de Sócrates, de um outro chamado Platão, de Catão, etc. Foram sujeitos famosos pelas suas virtudes. Pois um certo Bossuet, que é o grande chavão da doutrina, disse que das virtudes desses homens estava o Inferno cheio... Isto prova que a moral católica é diferente da moral natural e da moral social... Mas são coisas que tu compreendes mal... Queres tu um exemplo? Eu sou, segundo a doutrina católica, um dos grandes desavergonhados que passeiam as ruas da cidade; e o meu vizinho Peixoto, que matou a mulher com pancadas e que vai dando cabo pelo mesmo processo de uma filhita de dez anos, é entre o clero um homem excelente, porque cumpre os seus deveres de devoto e toca figle nas missas cantadas. (...)"

(excerto do diálogo entre o Dr. Godinho e João Eduardo)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

literature #2

E para os amantes da escrita de Jane Austen, deixo aqui mais dois excertos da obra Persuasão, II volume, que terminei de ler há já uns dias e a qual simplesmente deixou-me derretida com todo o romantismo nela presente.
Uma excelente obra para aqueles que se deliciam com episódios de amores e desamores da nossa querida Inglaterra do século XIX!

"- Sim. Nós com certeza não os esquecemos tão depressa como vocês nos esquecem a nós. Talvez seja mais destino nosso do que mérito nosso. Nós não podemos evitá-lo. Vivemos em casa, sossegadas, enclausuradas, e os nossos sentimentos consomem-nos. Vocês são obrigados a esforçar-se, têm sempre uma profissão, actividades, negócios de uma natureza ou de outra que os remetem de novo, imediatamente, para o mundo, e a ocupação e a mudança contínuas enfraquecem depressa as impressões."

(Excerto do diálogo de Anne com o capitão Harville. Nesta passagem, Anne constata que, na grande maioria das vezes, os homens esquecem com uma maior rapidez os resíduos de um amor um antigo em relação ao universo feminino.)

« "Não posso continuar a ouvir em silêncio. Tenho de falar consigo pelos meios que estão ao meu alcance. Trespassa-me a alma. Metade de mim é angústia, outra metade é esperança. Não me diga que é demasiado tarde, que sentimentos tão preciosos morreram para sempre. Ofereço-me de novo a si com um coração que ainda é mais seu do que antes, quando quase o despedaçou há oito anos e meio. Não ouse dizer que o homem esquece mais depressa do que a mulher, que o amor dele morre mais cedo. Eu não amei mais ninguém além de si. Posso ter sido injusto, fui fraco e despeitado, mas inconstante, nunca. (...)" »

(Excerto da carta que o capitão Wentworth redige a Anne)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

literature #1


E acabei de devorar o primeiro volume de mais um romance de Jane Austen. Soube tãoo bem   
Segundo volume, aqui vamos nós!
Entretanto, deixo aqui uma das minhas passagens favoritas de Persuasão:

"Sim, ele fizera isso. Ela estava na carruagem e tinha consciência de que ele a colocara lá, de que a sua vontade e as suas mãos tinham feito isso, que o devia à percepção dele da sua fadiga e à sua resolução de lhe proporcionar repouso. Comoveu-a muito dar-se conta da sua disposição a seu respeito, tornada aparente por todas estas coisas.  Esta pequena circunstância pareceu o culminar de tudo o quanto acontecera antes. Anne compreendeu-o. Ele não lhe podia perdoar, mas era incapaz de ser insensível. Apesar de a condenar pelo passado, de considerá-lo com elevado e injusto ressentimento, apesar de ela lhe ser absolutamente indiferente e estar a ficar preso a outra, mesmo assim não podia vê-la sofrer sem sentir o desejo de lhe dar o lenitivo. Eram resíduos de um sentimento anterior, era um impulso de pura, ainda que não admitida, amizade, era uma prova de que tinha um coração terno e afável, era, em suma, a demonstração de coisas em que ela não podia pensar sem emoções tão feitas de prazer e dor que não sabia qual prevalecia, se o primeiro, se a segunda."

quarta-feira, 13 de julho de 2011

11. letter to a deceased person you wish you could talk to

(carta a uma pessoa falecida com quem desejarias falar)

Decidi não escrever esta carta pois tal não se identifica com a minha vontade e com aquilo que vai no meu íntimo. Na verdade, (e felizmente!), ainda não partiu ninguém com quem tivesse uma relação de tal maneira próxima capaz de mover o meu coração e mente e conduzir-me à redacção de textos, cartas soltas sem destino, palavras dirigidas ao Além... Se o fizesse apenas estaria a enganar-me a mim própria.
No entanto, ao ler o título da 11ª carta que constitui o desafio lembrei-me quase automaticamente das várias cartas que Joana redige à sua falecida melhor amiga no livro A Lua de Joana de Maria Teresa Maia Gonzalez, e, decidi postar uma das primeiras missivas de Joana a Marta. Excelente mesmo!

Fica também a sugestão de leitura para este Verão.

"Lisboa, 28 de Agosto

Querida Marta,
Demorei muito para me resolver, o que não era costume. Para dizer a verdade, não sabia que fazer. Precisava de desabafar, tentar compreender tudo o que aconteceu e, como foste sempre a minha única confidente... Não fazia sentido escrever um diário, pois dava-me a sensação de estar a escrever para mim própria, o que acho um bocado estranho. Talvez seja ainda mais estranho escrever-te, mas é uma forma de manter viva a tua memória, pelo menos até entender o que se passou contigo; pelo menos até conseguir perdoar-te...
Faz hoje um mês que tu... Não sou ainda capaz de dizer a palavra. Se calhar, é porque não acredito que já não estás aqui comigo. É tão difícil de acreditar!
Como sabes, hoje fiz anos. São duas da manhã e estou demasiado excitada para dormir. Vou contar-te o que recebi. A minha mãe acedeu finalmente em redecorar o meu quarto - está tal e qual como eu queria! Todo branco (paredes, tapete, colcha, cortina) e até me mandou fazer o baloiço dos meus sonhos: é uma meia-lua de madeira (branca, claro) que está suspensa do tecto por uma corrente, mesmo no meio do meu quarto. É única no Mundo! Fui eu que a imaginei. Quando quero pensar, coloco-a em posição de quarto crescente e quando estou triste, rodo-a para quarto minguante e sento-me até que a tristeza passe. O armário velho foi para o corredor, assim, fiquei com mais espaço para dançar, quando me apetece. Das antiguidades só ficou a "escrivaninha", por causa daquelas gavetinhas todas que sempre me deram um jeitão para os segredos. Sei que acharias demais, mas também foi pintada de branco! À minha mãe tudo isto pareceu um bocado exótico, mas foi forçada a comparar as minhas notas com o Pré-histórico (a quem comprou uma nova prancha de surf carérrima) e não teve outro remédio. Chamou-me caprichosa e não sei que mais. Não me importei. (...)
No que respeita a festa que a minha mãe queria fazer, proibi-a terminantemente e, para a convencer tive de dizer que não havia direito de me estragarem o dia de anos. Sem ti, a festa não seria a mesma coisa, além disso, não tenho vontade de festejar coisa nenhuma. Fazer anos não é assim tão especial como isso, ainda se fossem quinze...
Estou a ficar com sono, finalmente. Preciso de dormir. Espero não sonhar contigo outra vez. É terrível!
Um beijo da Joana

P.S.: (...)"